a gente tem a mania esquisita – com todo respeito a todos – de colocar palavra em boca de sapo, enfiar sentimentos em terra seca e derramar lágrimas em cima para ver se nasce alguma coisa. a vida, por outro lado, vêm vindo e como se nos cutucasse, toma a parte de nos mostrar o que é e não é – e ó que é quase sempre que o que achamos que é na verdade não é nada além de pedra sob pedra. lavamos as mãos, penteamos os cabelos e deixamos fluir palavras soltas ao vento. e eu agora, com os olhos cheios de sono nem me lembro mais a finalidade pela qual vim dizer e devagar. palavras soltas, sem fazer sentido algum. sem artigo, nem o, nem a. sem eira nem beira. é o sono que vêm tentar me levar para a cama e me fazer sonhar com as palavras que vinham para cá, mas se perderam no caminho. tec tec tec tec. queria mesmo uma máquina de escrever, para digitar longos textos sem sentido algum ao som do silêncio; é… um dia ainda vou ter a minha máquina de escrever.
