[ je est un autre ]

sou um pouco de tudo que vejo, mais um pouco de tudo que ouço e alguns pedaços soltos das pessoas que passam – passaram e passarão – por mim. sou metade sim, metade não. sou verdade e sou mentira. as palavras dos outros, os olhares avulsos e os sorrisos malvados. um pouco de tudo junto e misturado. e em mais um dia que passa,  já não sou mais a mesma. escolho com quem converso e não falo o que quero com qualquer pessoa. sou toda feita de dramas e palavras. tenho uma dificildade assassina de enxergar a verdade, afogando meus olhos em ilusões bobas e sem sentido. leio uma literatura inútil. enrolo até o último minuto para fazer minhas obrigações e não sou feliz com isso. já desejei mudar e deixar de ser tão enrolada…mas acho que se o fizesse, ninguém me reconheceria. e que graça teria viver alguma coisa sem mim? sou meu passado, cru e nu, daquele jeito meio bobo, imaturo, triste e cortado com estilete, folha de papel ou ponta seca. não me envergonho das porcarias que ouvia, existe espaço para elas na minha pele. sou as milhares de páginas escritas, rabiscadas, coladas, molhadas e rasgadas. sou mais de um caderno inteiro. sou saudade. sou a falta diária do meu avô. sou meus amigos todos juntos. sou os antigos amigos deixados para trás por ordem do destino. sou o domingo a noite em casa, desabafando com quem quiser ouvir. sou o que quis ser e não consegui. sou o que ainda serei. meus sonhos, meus olhares, minhas lágrimas: não tão ocasionais. mas gosto do acaso e a ele quero pertencer. a possibilidade de um beijo. gosto do céu azul pela manhã com poucas nuvens brancas. sou o vício de internet, televisão e coca-cola. de preguiça sou feita: meu pecado favorito. os amores inacabados, as palavras finais, o telefone deletado para nunca mais ligar quando estiver bêbada. sou o arrependimento em pessoa: só dou valor ás coisas quando perco. “o silêncio de um olhar”. a dúvida: falo ou não falo? será que vale a pena? tudo que acontece em minha volta passa a fazer parte da minha vida de alguma forma. meu HD está cheio. mesmo me decepcionando diariamente com o ser humano, cativo um carinho, sincero e calado, ás pessoas. não sei o que é, mas ainda consigo acreditar numa beleza delicada em cada olhar. fotógrafa falida. sou o passado dos meus avós, meus pais, e da minha irmã. sou um milhão de histórias, reais ou imaginárias. o desejo. uma romântica incurável. sou os telefonemas ás 3am com risadas e piadinhas infâmes. “zuera…” eu diria. e…mesmo sendo isso tudo, tenho certeza de que não sou nada. não sofro por isso: tenho uma vontade de querer ser mais. quem sabe um pássaro?

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