‎”All I can do is be me, whoever that is.” (DYLAN, Bob)

Por que esse caminho? Por que essa escolha, essa razão, dessa maneira? Para escrever um livro, Jack Kerouac fez três viagens no continente norte-americano. E no final percebeu não haver razão nenhuma para viajar, a não ser a inquietude. O ser humano tem em suas mãos um mundo inteiro de possibilidades e mesmo assim assumiu a idéia de que deve permanecer fixo, independente do que lhe aconteça. Criamos em nossas cabeças uma estratégia de vida ligada a obrigatoriedade de seguir um percurso e fomos educados a seguí-lo, como dizem as regras. Mas, aonde estão essas regras? E aonde foi que eu assinei em baixo? Fato é que até quem tentou ser diferente e contrariar as regras sociais morreram na praia se tornando, de certa forma, exemplo para um clichê. Não há originalidade, pureza e espontaneidade. Foi tudo programado para assim acontecer e nem tentamos questionar pois seria perda de tempo.

Acabo de ser contagiada, outra vez, por uma mistura de angústia e ansiedade. Acho que é a quinta ou sexta vez que leio On the Road de Jack Kerouac – a primeira que leio o manuscrito original – e simplesmente não consigo encontrar razão plausível que possa convencer ou apenas explicar o por quê eu gosto tanto desse livro. Ele não tem nada demais, não é essencialmente comovente, não me surpreende e nem conta a história do meu país. Por não haver resposta para essa minha questão, é que talvez não devesse existir a dúvida, oras. É simples! Aliás, a simplicidade deveria vir enlatada e ser vendida em prateleiras de supermercados. Bom, acho que de tanto “lê-lo”, já não só tenho Jack Kerouac na minha estante, como também na minha escrivaninha, na minha gaveta, no meu carro, no meu armário, dentro da minha roupa e deitado na minha cama.

Acho que no final das contas, vai ser como ele profetizou. Vou acabar viajando bastante, percorrendo os mais turbulentos caminhos, trabalho bastante, escrevo um livro e termino a minha vida com o cara que eu amo, sossegada. As únicas preocupações que se atreverão a me tirar da calmaria será um vento forte, um pesadelo ou uma possível dor de cabeça. Não há bem com o que se preocupar se tiver a certeza de que meus amigos estarão por perto, cada um vivendo suas vidas, porém eternamente ligados. Não vejo problema em ocasionalmente cuidar da minha família e devolver toda tranquilidade que eles uma vez depositaram em mim e aplicaram na minha vida.

Enfim, papo de lado, vamos voltar o projeto porque o que não me faltam são coisas para fazer. Já mencionei que o prazo está curto?

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1 comentário

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Uma resposta para “‎”All I can do is be me, whoever that is.” (DYLAN, Bob)

  1. A unica diferença é que Keroua morreu sozinho, alias, Memere estava com ele.
    Olah só, lembrei do seu blog e que surpresa, seu projeto de monografia sobre Kerouac, o meu sobre Kerouac, a sua namoradinha Joyce Johnson e a geração Beat. Vou traduzir umas cartas dele, inédito. Bom, espero que ainda seja inedito ate eu terminar hahahah.
    ,

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