pedaço do mundo;

Desde pequenos somos educados entender que tudo na vida começa para terminar. O “felizes para sempre” amenizava o fim dos contos de fadas, sem deixar espaço para a imaginação fluir. São as tais fases da vida que acontecem diariamente e, assim, terminam. Deitamos com a cabeça no travesseiro para dormirmos para sempre, até que o dia amanheça outra vez e lá vamos nós tirar a teia de aranha do tênis para começar tudo de novo. Ok, até aí sem novidade.

Uma vez, ainda quando eu era pequena, a professora Socorro (memorável!) passou um texto que dizia que existem pessoas estrelas e pessoas cometas. As pessoas cometas passam por nossas vidas, fazem uma bagunça, levantam poeira e arrancam suspiros, porém desaparecem, na mesma rapidez com que apareceram. Já as estrelas, ficam sempre ali, paradas e brilhantes, iluminando tanto as noites frias quanto as quentes, independente se faça chuva, ou não. Um tempo depois, na aula de geografia, descobri que as estrelas se apagam um dia, e somem, para sempre. E então todo o encanto da fábula se perdeu no clarão da realidade do conhecimento.

Eu sou uma pessoa muito apegada. Não é por acaso que insisto em ter por perto as mesmas amigas de quando tinha 9 anos de idade e ainda acreditava que as Spice Girls eram amigas desde a infância e a Sandy e o Júnior eram, na verdade, namorados. Mesmo praticando o desapego de tempos em tempos, mantenho certas lembranças, recortes, pessoas e imagens no mesmo lugar, acumulando mais e mais teias de aranha e poeira. É o aperto no coração que dá com alguém que tem que ir, pois não pode ficar.

Enfim, mas isso não vem ao caso.

Apenas vim dizer que mesmo depois de tanto tempo, o aperto no coração ainda persiste toda vez que alguém do “diariamente” passa a fazer parte do “de vez em quando”, tirando o fôlego a cada despedida e fazendo desejar o “freqüentemente”. Acho que é o mundo querendo nos dizer que na verdade estamos sozinhos e é assim que devemos ser. Só que cada um que passa, a cada encontro, deixam mais combustível para o que só os brasileiros chamam de saudade.

Ps. É Rafa. Vá fazer o seu espaço no mundo, moço! Só não esquece de quem fica, porque a saudade aperta. E saiba que tem (e sempre vai ter) amor demais para você do lado de cá do muro.

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1 comentário

Arquivado em Uncategorized

Uma resposta para “pedaço do mundo;

  1. ODETE

    Um um pedaço da vida ,ama história belssima para bons entrerprete a literatura agradece.As estrelas aparecem com rapidez e somem com nitidez assim sao as palavras . VALEU

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