o começo do fim;

tai uma coisa que assusta: o fim. inevitavelmente necessário, aquele mal que vem para o bem. o começo do fim é tipo o medo com antecedência, sentindo toda a dor da despedida aos poucos, em doses mínimas. hoje é o meu primeiro dia de férias e é assim que eu me sinto. não serão férias simples: elas começam aqui, passam por Portugal e terminam no Brasil, na ponte aérea BH-Rio-SP, até achar um canto para descansar os pés. eu vou sentir falta de coisas que aprendi a lidar de forma essencial e que passarão a ser, se quando, ocasionais. vai doer por um tempo, vai dar vontade de ficar só na cama, vai ser estranho ter tudo no lugar, vou questionar o conceito de casa, vou lembrar em cada gelato, pasta, pizza, chá da tarde, chocolate quente e a cada pôr do sol. vou ter saudade do inverno e do verão. vou procurar promoções aéreas incessantemente. vou respirar fundo no fim do dia, desejando, de dentro da alma, voltar ao tempo. no entanto, vou ter a certeza de que fui sinceramente feliz e que tive a melhor experiência que poderia ter. no entanto, o próximo capítulo é tão inevitável e inesperado quanto o fim: tudo pode acontecer e eu não vejo a hora de começar de novo.

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não tem nada no mundo que me anima mais do que o recomeço. somos tão jovens.

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mesmo de longe;

o inverno chega com a mesma precisão dos seus olhos nos meus. corta a pele, faz sangrar os lábios e bagunça o meu cabelo – e é mais ou menos como você também. acho que a diferença que existe entre você e o inverno é que dele eu preciso me proteger – haja bota, casaco, cachecol e pares de luvas. só para você saber, de você eu não quero me proteger. “eu queria tanto que você não fugisse de mim“. me encontro em pedaços de textos escritos em abril de 2009 – ainda sou a mesma, com um pouco mais de frio. ai me pergunto se você passaria alguma hora do seu dia longo a ler de fato um pouco de mim. palavras vazias levadas pelo vento forte do fim de outono europeu: é a neve que chega. seria como Pessoa uma vez descreveu como “despertar de um sonho alheio“. gostaria de saber se estou em seus sonhos – os pesadelos. noites em claro para encontrar a palavra certa que me faça entender uma conversa pela metade: minha cabeça jamais para de funcionar. preciso do tempo suficiente para sossegar: o instante do seu sorriso. larguei de lado o horóscopo, previsão meteorológica e meu relógio. o tempo corre sem que estejamos atentos aos acontecimentos reais e aos feitios da mente ( ou seria do coração? ). é tudo uma confusão sem fim em que, mais uma vez, só o tempo irá dizer. aliás, é você quem diz que somos extremos – haja tanta diferença para um mesmo gosto musical. mas vale dizer que guardo em mim, sei quase de cor, cada palavra saída da sua boca ou dos seus dedos: minha memória é fraca, mas não falha. eu presto atenção em todos os seus olhares e fico uma semana inteira pensando no que você pensou em dizer. pois é… e o que eu queria era só um pouco de simplicidade para um momento confuso: uma mão para aquecer no fim do dia; um travesseiro macio para descansar os pensamentos. e ainda nem te contei tudo o que se passa aqui e agora. ah, eu tenho tanto medo. mas um dia, se eu tiver coragem, te faço saber que gosto de você quase o mesmo tanto quanto gosto do inverno.

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os textos que não terminei;

o meu pensamento funciona em forma de textos que nunca escrevi. sleciono assuntos, tags e personagens – são textos inexistentes. textos que nunca saem do rascunho – ou da pasta draft daqui do wordpress. acho que se morresse famosa por qualquer motivo idiota (todo mundo hoje tem seus 15 minutos de fama, ou até um pouco mais, infelizmente) e encontrassem esses rascunhos, eu perderia todo o meu brilho em duas linhas. são só imagens traduzidas em palavras e metáforas, semióticamente falando. é tudo aquilo que vi e interpretei de uma forma literalmente (mal) escrita. julgamentos muitas vezes injustos, insuficientes ou, até mesmo, inocentes sob questões de uma vida toda. ou então quando insisto em transformar em um milhão de palavras vazias uma simples decisão por um transporte público ou a escolha pelo chocolate quente, ao invés do café. eu também já escrevi sobre o fato de mexirica na Itália ter o nome de clementine – e eu acho isso lindo.

qualquer coisa vira texto na minha cabeça; e ali mesmo ele se perde em meio de contas, imagens e lista de compras. um dia desses comecei a escrever sobre um amigo que conheci em Budapeste e que me fez mudar completamente a minha idéia de família. ele me fez lembrar do meu pai de um jeito que eu não o conheci – jovem, recém casado com a minha mãe, cheio de planos e pequenas filhas para criar. lembrei do que eu nunca vi e não pude me imaginar mais correta. outro dia também comecei a escrever sobre as mil coisas completamente simples que me encantam. pequenas coisas que me fazem dormir sonhando e acordar sorrindo ao saber que a realidade é, muitas vezes, encantadora. aí escrevi sobre o fim que se aproxima, mas esse eu não consegui terminar por ter quase me afogado em lágrimas – achei melhor deixar para outra hora, ou até deixar para lá. o quanto mudei; o quanto sou mais feliz – em termo de estado permanente, a pesar dos pesares -; o quanto me orgulho da minha conquista pessoal e a dos meus amigos que estão por perto; sobre a decisão de perdoar, de me distanciar (além da distância física) para enxergar melhor os sentimentos e a de dizer tudo o que eu sinto em um pedaço de papel em linhas tortas.

gostaria de escrever sobre o próximo capítulo, o processo de readaptação e a decisão mais complicada que tomei nos últimos tempos – adiar um sonho não é fácil. da família conquistada pelo mundo e que, independente do tempo ou qualquer outra coisa, a amizade jamais vai mudar; sobre cidades (invisíveis?) visitadas, exploradas a pé e as quais me deixei perder um pouco de mim em cada esquina, só para ter que voltar para buscar – histórias de amor  e apego definitivo. sobre o aproveitamento do espaço público, o transporte, a educação e até a forma distante de tratamento na europa – com seus prós e contras. a conversa e o perdão concebido a uma amiga – hoje sem áspas – que reconheceu o seu erro e passou de lembrança ruim e mal acabada para uma página em branco de recomeço; sobre a falta que os meus pais fazem na minha quinta-feira com vinho, queijos e risadas; sobre o meu medo diário de voltar e não me adaptar; sobre como eu transformei um anúncio de oferta de um quarto em uma declaração de amor pela minha casa italiana.

são tantos assntos e tando textos dentro de mim que chegam a faltar palavras. assim, todos mal escritos, mas todos sinceros e cheio de assuntos nas entrelinhas.  são tantos sentimentos eque chega a dar medo de escrevê-los e torná-los insuficientes. mas acabo deixando tudo bagunçado no coração, que faz a limpa do que deve ir pro limbo ou para o setor mental. quem sabe um dia o tempo organiza o que ficou pelo não dito dentro das regras da gramática e da licença poética. é tudo excesso de amor; e sou dessas que me apego até mesmo aos textos que não terminei.

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slow it down;

aquele instante em que se tira o pé do chão para dançar sozinha pelo quarto. é fechar as portas, colocar uma musica qualquer que te deixa feliz e deixar o corpo levar. não se preocupar com nada e com mais niguém: tudo é permitido; tudo é possível.

ultimamente a minha cabeça tem estado tão e tão cheia, assim como os dias e noites. falta tempo para entender a realidade, colocar as coisas no lugar e respirar fundo. as coisas acontecem como e quando devem acontecer. falo isso sem a sensação de consentimento e lugar comum. falo como quem aprendeu a encarar os poréns,  tomar as decisões com consciência, aceitar as fatalidades e comemorar todo passo para o objetivo alcançado. a vida é simples e somos capazes de fazer o que quisermos dela caso tenhamos objetivos claros. mas precisamos saber lidar com as situações que fogem ao nosso controle e, para isso, pé no chão, coragem, paciência e, claro… um sorriso.

em breve muita coisa vai mudar; alias… não: muita coisa já mudou e, apesar dos pesares, tenho o maior sorriso do mundo por ter tido um dos melhores anos da minha vida, em uma cidade maravilhosa e com pessoas inacreditavelmente especiais. as coisas estão mudando. nesse momento eu preciso de um pouco de paz, calma para colocar a cabeça em ordem, paciência para organizar tudo o que foi acumulado, serenidade para traçar os próximos objetivos e sim, os amigos para manter o coração sempre quente.

bom, esse foi um post só para desabafar o que está se passando por aqui e não é nem uma vírgula de toda a confusão a ser encarada. são coisas que me fazem completamente felizes e outras… nem tanto. já escrevi uns 10 textos a serem postados aqui e no ladolcemilano em breve e que merecem o seu lugar. mas agora, só por agora, eu só quero colocar uma música bem alto e dançar como se ninguém estivesse vendo.

 

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não custa sonhar;

tenho um monte de postagens com começo e sem fim. são como histórias de pessoas que se encontram e, sem tempo para se conhecerem melhor, se separam. é como se houvesse potencial em cada encontro e, mesmo sabendo desse potencial, o post é largado de lado, salvo como draft. “fica para depois“; “fica pra mais tarde, outro dia ou outra hora“. e eis que o tempo passa e quando paramos para analizar os posts –  e as possíveis histórias -, já não fazem mais sentido. parece que o tempo que passou, mesmo sendo curto, foi o suficiente para mudar coisa demais. na verdade essa coisa toda de tempo é meio que sem sentido, sem lógica. é que as vezes um mês e alguns dias parecem uma eternidade, mas dói só de pensar que pode passar rápido demais. o passar rápido significa o fim de tantas coisas; e o recomeço de tantas outras.

eu gosto de recomeçar. já disse uma vez que parece fim e começo de seriados, daqueles viciantes. é que eu sinto tanta falta do que passou: do sonho, do planejamento, da expectativa, dos anseios, da luta, do esforço, das noites sem dormir direito e, por fim, das realizações e superações. olhando assim, de longe, dá para ver que foi melhor do que poderia se sonhar. é, é coisa da vida: temporadas terminam e recomeçam, que nem na tv. mas eu juro que ainda não vou sofrer com isso: um dia pego aqueles posts prometidos e começados, e os termino, um por um, com a visão de hoje. é que vale a pena colocar um fim em tudo, de forma excepcional, para poder dormir tranquilo a noite. para poder dormir sorrindo ao seu lado a noite – quem sabe um dia?

eu já nem sei mais se falo de histórias, de posts ou de vidas mal acabadas. vai ver é para ser assim mesmo: deixamos um tanto de migalhas por onde passamos só para tentar reencontrar o caminho de volta. é, quem sabe um dia. não custa sonhar.

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encontros casuais…

… pela intenet, nessa manhã de terça-feira.

large1. aonde e como eu gostaria de estar agora;

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2. outras novas receitas de sopas que quero tentar fazer,

coffeecycle-blog3. o super ciclo do café – my preeeecious;

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4. notes to self, mas ao invés de cerveja, vinho.

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5. DYLAN, bob

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6. o balanço dos sonhos;

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7. a vontade de sair por aí, mais uma vez;

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8. a coleção dos meus sonhos, por Ulyana Sergeenko;

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9. o meu guarda-chuva vermelho de volta, depois que o perdi em algum canto de Milão;

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10. o próximo destino: Trier, Alemanha.

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+1. a realidade.

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a eternidade de alguns minutos.

7:30am. um daqueles dias em que se acorda do lado errado da cama. no caso dela, era o único lado possível. na verdade o caso era uma maldita (ou bendita?) tpm, pronta para destruir toda e qualquer lembrança boa, mensagem de bom dia e até mesmo capaz de explodir o sol – para os homens que insistem em dizer que é desculpa, tpm existe. no caso dela, nada de vontade de chorar, de brigar e nem mesmo de matar alguém. a vontade era de ficar ali na cama, deitada, de olhos bem fechados. de preferência sem pensar. melhor: sem pensar e sem lembrar. a curiosidade havia se tornado um problemão, daqueles sem pé nem cabeça. por um motivo ignorável, os sentimentos deram espaço a um vazio sem fim. as lembranças passaram a ser duvidosas – tudo depende de como se interpretar. era a realidade batendo na porta enquanto o seu sistema imunológico a preparava para fazer o que já devia ter feito há meses atrás: hora de recuar. sabotagem. dois pés atrás e a cabeça para cima – quando não tem muito o que fazer, é bom olhar céu e perceber as infinitas possibilidades. ás vezes as coisas são tão simples que se tornam nada e é dai que ela queria tirar proveito. a sabotagem era sim uma solução e, vai ver, a exata resposta para todas as questões que deixariam de ser problemas. em dez dias, substituiria sentimentos, ocuparia seu tempo com trabalho e viagens e a cabeça com livros e amigos. a vontade de viajar dava um nó na garganta. foi quando veio na cabeça aquela última noite em Berlim em que ela havia se decidido pelo basta. entre uma palavra e outra, desligou o celular, deixou na mala fechada e saiu para andar sem rumo pelas esquinas do mitte. na verdade havia sim uma direção: um carrinho noturno de curry wurst (sim! por que não?), uma ou duas garradas de cerveja, a música perfeita para o momento e um motivo para definitivamente colocar Berlim na eternidade. meio bêbada, meio feliz, meio ansiosa e um tanto cansada ela escolheu pela liberdade – também conhecido como yaam. naquele dia ela sorriu e, curiosamente, a vida sorriu de volta. havia encontrado tudo o que saiu para procurar e voltou no começo da manhã com a tranquilidade sem fim. ela estava ali para fazer o que deveria ser feito e não haveria sentimento – por mais sincero, real e bonito – no mundo que a tiraria do foco. 8:30. quando se lembrou que havia greve de transporte hoje e o metrô só iria funcionar até as 8:45. era hora de parar de pensar e correr para conseguir chegar no trabalho. é, o jeito foi catar a camiseta mais confortável com aquele jeans surrado, engolir a tpm e encarar a sexta-feira, dessa vez tentando esquecer a eternidade dos mil pensamentos por segundo. deixar pra manhã de sábado a decisão mais importante dos últimos minutos. ou vai ver era melhor só deixar para lá.

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