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ignoro-me;

não escrevi o post de retorno ao brasil. sequer dei uma palavra sobre o quão fantástico foi 2013. o meu jeito desleixado de começar 2014 me fez evitar comentar inclusive os mais novos acontecimentos: as velhas notícias de todos os anos, sempre novas. nem mesmo reclamei do Rio de Janeiro com a sensação térmica de 50 graus em um dia em que eu tentava ir em uma exposição badaladissíma no ccbb. não comentei os últimos escândalos do maranhão, o último livro que acabei de ler (que aqueceu meu coração) e o drink favorito do verão. não disse ainda sobre a saudade de milão e das pessoas que fazem falta diariamente.

ando como um trapo largado no canto da sala em um dia quente. aquele pedaço de roupa que se tira ao colocar o pé em casa e se sentir seguro e confortável para expor um pouco mais de pele. qual o motivo do silêncio? talvez o calor. a falta de tempo de colocar a mão na consciência e digerir tudo o que vêm acontecido. ou, vai ver, é a vontade de ver tudo acontecendo de novo. não há tempo para respirar. qual o motivo do reaparecimento? a saudade. aquela maldita que insiste em grudar no meu pé não me deixa dar passos longos. me prende em algum canto da sala – o mesmo em que me encontro pensando e lembrando. as coisas estão indo tão depressa que me falta um pouco de ar e água fresca. me falta um dia jogada na cama, de perna para o alto, um pedaço de papel e uma caneta preta. transcrever-me. traduzir-me. entender-me. não que seja possível mas preciso suprir o vício de escrever sobre o que se passa nos espaços mais obscuros.

não é falta de tempo. é falta de coragem.

ou vai ver é a consciência de que ao se revirar tudo, irei encontrar sentimentos ainda mais profundos e lembranças ainda mais reais do que aquelas que eu penso ter. acima da minha vã noção de mundo.

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ainda sem palavras.

hoje foi um dia atípico – assim como vai ser esse post. estou chorando sem conseguir parar por algum tempo e eu não sei ao certo se é aquele choro de tristeza ou é por amar demais. sabe aquele momento em que você vê de longe o seu maior sonho se realizando e não sabe ao certo o que fazer e sentir? começa mais ou menos assim.

me lembro como se fosse ontem do dia em que eu voltei de NY aos 16 anos. era minha primeira viagem internacional e eu me senti como se houvesse conhecido o mundo. no avião de volta eu chorei ao notar que demoraria tempo demais para voltar ao “mundo” e alcançar o que desejaria  – já que eu nem sabia ao certo o que queria. bem, dos 16 aos 24 muita coisa mudou e, graças a um curso exato na área em que sempre sonhei, vim parar, aos 25, aonde sonhava. não era NY, mas o lugar e a hora perfeitos para o momento da minha vida. Milão me recebeu de braços abertos como nenhum lugar do mundo havia jamais me recebido. na minha vida entraram pessoas tão únicas e especiais que nunca imaginei que pudesse conhecer e que se tornariam tão essenciais nesse ano. visitei lugares, conheci culturas, explorei mundos e desbravei pessoas – aliás, desbravei a mim mesma. não sou nem perto a mesma Débora que cheguei no dia 21 de Novembro de 2012.

hoje foi um dia atípico. foi hoje em que fechei uma das etapas mais únicas, especiais e de maior crescimento pessoal da minha vida. aprendi a perdoar, a seguir em frente, a controlar meus ânimos, a ser profissional, a lidar com pessoas de todo o mundo e, principalmente, a ser eu mesma, indepentente do que aconteça. aliás, aprendi a ser feliz assim, pois essa é a minha essencia e dela eu não posso fugir.

eu gostaria de agradecer principalmente a minha família que me apoiou desde quando comecei a sonhar e nunca cortaram as minhas asas para ir longe; ao pavor, que sempre sonhou tão longe quanto a mim mesma; ao guetho que sempre esteve ao meu lado, independente das nossas diferenças; aos amigos da letras que sempre souberam que meu canto tava bem longe da fale; aos amigos da faculdade de design que sempre me apoiaram nas viagens mais aleatórias; e, finalmente, aos amigos que reconheci durante esse ano: nossos caminhos estavam traçados desde o início e é incrívelmente especial saber o quanto vocês fizeram parte desse momento, mesmo nos mais minuciosos detalhes.

eu ainda não sei como vou viver sem essa cidade e essas pessoas.

só o tempo vai dizer.

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o começo do fim;

tai uma coisa que assusta: o fim. inevitavelmente necessário, aquele mal que vem para o bem. o começo do fim é tipo o medo com antecedência, sentindo toda a dor da despedida aos poucos, em doses mínimas. hoje é o meu primeiro dia de férias e é assim que eu me sinto. não serão férias simples: elas começam aqui, passam por Portugal e terminam no Brasil, na ponte aérea BH-Rio-SP, até achar um canto para descansar os pés. eu vou sentir falta de coisas que aprendi a lidar de forma essencial e que passarão a ser, se quando, ocasionais. vai doer por um tempo, vai dar vontade de ficar só na cama, vai ser estranho ter tudo no lugar, vou questionar o conceito de casa, vou lembrar em cada gelato, pasta, pizza, chá da tarde, chocolate quente e a cada pôr do sol. vou ter saudade do inverno e do verão. vou procurar promoções aéreas incessantemente. vou respirar fundo no fim do dia, desejando, de dentro da alma, voltar ao tempo. no entanto, vou ter a certeza de que fui sinceramente feliz e que tive a melhor experiência que poderia ter. no entanto, o próximo capítulo é tão inevitável e inesperado quanto o fim: tudo pode acontecer e eu não vejo a hora de começar de novo.

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não tem nada no mundo que me anima mais do que o recomeço. somos tão jovens.

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slow it down;

aquele instante em que se tira o pé do chão para dançar sozinha pelo quarto. é fechar as portas, colocar uma musica qualquer que te deixa feliz e deixar o corpo levar. não se preocupar com nada e com mais niguém: tudo é permitido; tudo é possível.

ultimamente a minha cabeça tem estado tão e tão cheia, assim como os dias e noites. falta tempo para entender a realidade, colocar as coisas no lugar e respirar fundo. as coisas acontecem como e quando devem acontecer. falo isso sem a sensação de consentimento e lugar comum. falo como quem aprendeu a encarar os poréns,  tomar as decisões com consciência, aceitar as fatalidades e comemorar todo passo para o objetivo alcançado. a vida é simples e somos capazes de fazer o que quisermos dela caso tenhamos objetivos claros. mas precisamos saber lidar com as situações que fogem ao nosso controle e, para isso, pé no chão, coragem, paciência e, claro… um sorriso.

em breve muita coisa vai mudar; alias… não: muita coisa já mudou e, apesar dos pesares, tenho o maior sorriso do mundo por ter tido um dos melhores anos da minha vida, em uma cidade maravilhosa e com pessoas inacreditavelmente especiais. as coisas estão mudando. nesse momento eu preciso de um pouco de paz, calma para colocar a cabeça em ordem, paciência para organizar tudo o que foi acumulado, serenidade para traçar os próximos objetivos e sim, os amigos para manter o coração sempre quente.

bom, esse foi um post só para desabafar o que está se passando por aqui e não é nem uma vírgula de toda a confusão a ser encarada. são coisas que me fazem completamente felizes e outras… nem tanto. já escrevi uns 10 textos a serem postados aqui e no ladolcemilano em breve e que merecem o seu lugar. mas agora, só por agora, eu só quero colocar uma música bem alto e dançar como se ninguém estivesse vendo.

 

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não custa sonhar;

tenho um monte de postagens com começo e sem fim. são como histórias de pessoas que se encontram e, sem tempo para se conhecerem melhor, se separam. é como se houvesse potencial em cada encontro e, mesmo sabendo desse potencial, o post é largado de lado, salvo como draft. “fica para depois“; “fica pra mais tarde, outro dia ou outra hora“. e eis que o tempo passa e quando paramos para analizar os posts –  e as possíveis histórias -, já não fazem mais sentido. parece que o tempo que passou, mesmo sendo curto, foi o suficiente para mudar coisa demais. na verdade essa coisa toda de tempo é meio que sem sentido, sem lógica. é que as vezes um mês e alguns dias parecem uma eternidade, mas dói só de pensar que pode passar rápido demais. o passar rápido significa o fim de tantas coisas; e o recomeço de tantas outras.

eu gosto de recomeçar. já disse uma vez que parece fim e começo de seriados, daqueles viciantes. é que eu sinto tanta falta do que passou: do sonho, do planejamento, da expectativa, dos anseios, da luta, do esforço, das noites sem dormir direito e, por fim, das realizações e superações. olhando assim, de longe, dá para ver que foi melhor do que poderia se sonhar. é, é coisa da vida: temporadas terminam e recomeçam, que nem na tv. mas eu juro que ainda não vou sofrer com isso: um dia pego aqueles posts prometidos e começados, e os termino, um por um, com a visão de hoje. é que vale a pena colocar um fim em tudo, de forma excepcional, para poder dormir tranquilo a noite. para poder dormir sorrindo ao seu lado a noite – quem sabe um dia?

eu já nem sei mais se falo de histórias, de posts ou de vidas mal acabadas. vai ver é para ser assim mesmo: deixamos um tanto de migalhas por onde passamos só para tentar reencontrar o caminho de volta. é, quem sabe um dia. não custa sonhar.

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tranquilidade de agora;

a consciência do seu lugar no mundo e o caminho sem volta. perder a ingênuidade e receber em troca a experiência. se decepcionar com uma pessoa e encontrar outras tantas cheias de amor. desistir do desânimo para uma longa caminhada no parque. trocar de música no shuffle esperando ser supreendido pela próxima. abrir os olhos pela manhã e esperar encostar os meus olhos nos teus. sentir o seu pé quente no meu pé frio; a sua mão fria nas minhas costas quentes. jogar uma data no drungli esperando uma super promoção de passagens para aquela cidade que você deseja conhecer. ver o celular vibrando e ler o seu nome. receber foto de pessoas amadas do outro lado do mundo exibindo sorrisos largos e sinceros. o orgulho de ver o sucesso dos amigos. ouvir aquela música naquele momento; ouvir exatamente o que gostaria, na hora certa. um jantar japonês em um domingo a noite. abrir a janela e encarar a lua, te observando logo ali. se surpreender com o lançamento do seu cantor querido com um cd maisquelindo. uma música que encaixa exatamente nos seus sentimentos – ou seria o contrário. as lembranças de viagem jamais esquecidas. perceber que você já não é a mais a mesma de quando você chegou e saber que você gosta mais de si hoje do que há um ano atrás. decidir ir atrás da despedida, mesmo sabendo que pode não ser o melhor, mas terá sido o seu melhor. corresponder a confiança dos outros depositada em você. receber amigos com uma varanda cheia de amor. a cosquinha que a caneta faz na pele. o sorriso cheio de dentes de alguém só para você. o olho no olho e a certeza de que não é ilusão. a tranquilidade do fim e dos resultados. o salário no fim do mês. uma noite que dure para sempre. um fim de semana perfeito. o ponto final após dizer tudo que para você faz todo sentido aqui agora.

 

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todos os encantos…

ja faz tanto tempo que não posto. desde que me mudei para ca quase não tenho tido prazo. muito do tempo livre que tinha no brasil foi ocupado aqui por louças sujas na pia, vassoura, pano de chão e produtos de limpeza – que prometem mais do que podem cumprir. aprendo diariamente a cuidar de mim e do meu espaço. passei a dar valor as mordomias que tinha na casa dos meus pais e que hoje fazem parte do dia a dia. mas não reclamo não: a vida aqui ta boa demais e tem sido tudo tão especial!

sinto falta de muita coisa que ficou la em BH: as pessoas maravilhosas, o pote de açaí com banana da lanchonete da mamãe, o pão de queijo quentinho e a praça do papa em dias ensolarados. tento lidar com essa falta da melhor forma, seja vendo fotos, conversando no skype, mandando mensagens, procurando açaí em lojas de produtos brasileiros aqui, tento fazer pão de queijo com a receita que minha mãe me ensinou substituindo o queijo minas por qualquer um desses europeus e na falta da praça do papa, serve o parco sempione.

mas se mudar para um novo lugar, longe de tudo, significa muito mais do que a ilusão de adquirir uma sensação de liberdade quase inexplicável. vai além. é aprender, diariamente, como lidar com essa liberdade e se adaptar ao novo. é se esforçar para, de pouco em pouco, chamar o desconhecido de “casa” – e de fato isso acontece da forma mais delicada e imperceptível que pode se imaginar. é entender que sua cama jamais vai ser arrumar sozinha e que as roupas também não vão aparecer limpas e passadas no seu armario de um dia para o outro. é conhecer em si mesma um lado responsável que nunca havia notado. é saber que, mesmo podendo tomar uma garrafa de vinho todos os dias, isso não é o melhor para voce e que talvez seja melhor ficar no cha. é cumprir horarios, prazos, passar a confiar no despertador, fazer compras no supermercado – e de fato passar horas na sessão de produtos de limpeza. é enfrentar de frente a maquina de lavar roupas e se acostumar em perder uma ou outra peça branca ao, eventualmente, deixa-la com o monte de roupas coloridas. é não ter hora para comer. é comprar flores para dar aquele clima aconchegante. é odiar aquelas visitas que deixam tudo fora de ordem e bagunçam o que voce acabou de limpar. (…). mas isso tudo, é para dizer que depois de um dia longo, nada melhor que sentar no seu quarto, ouvir uma musica alta, tomar um chocolate quente e sorrir de tranquilidade: esta tudo bem.

mesmo com todos os poréns, aqui esta melhor do que havia imaginado. e a cada dia que passa, é um dia a menos. então o jeito é não perder tempo e aproveitar cada segundo para curtir tudo o que ha de vir. ” a gente quer ver horizonte distante…”.

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