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a eternidade de alguns minutos.

7:30am. um daqueles dias em que se acorda do lado errado da cama. no caso dela, era o único lado possível. na verdade o caso era uma maldita (ou bendita?) tpm, pronta para destruir toda e qualquer lembrança boa, mensagem de bom dia e até mesmo capaz de explodir o sol – para os homens que insistem em dizer que é desculpa, tpm existe. no caso dela, nada de vontade de chorar, de brigar e nem mesmo de matar alguém. a vontade era de ficar ali na cama, deitada, de olhos bem fechados. de preferência sem pensar. melhor: sem pensar e sem lembrar. a curiosidade havia se tornado um problemão, daqueles sem pé nem cabeça. por um motivo ignorável, os sentimentos deram espaço a um vazio sem fim. as lembranças passaram a ser duvidosas – tudo depende de como se interpretar. era a realidade batendo na porta enquanto o seu sistema imunológico a preparava para fazer o que já devia ter feito há meses atrás: hora de recuar. sabotagem. dois pés atrás e a cabeça para cima – quando não tem muito o que fazer, é bom olhar céu e perceber as infinitas possibilidades. ás vezes as coisas são tão simples que se tornam nada e é dai que ela queria tirar proveito. a sabotagem era sim uma solução e, vai ver, a exata resposta para todas as questões que deixariam de ser problemas. em dez dias, substituiria sentimentos, ocuparia seu tempo com trabalho e viagens e a cabeça com livros e amigos. a vontade de viajar dava um nó na garganta. foi quando veio na cabeça aquela última noite em Berlim em que ela havia se decidido pelo basta. entre uma palavra e outra, desligou o celular, deixou na mala fechada e saiu para andar sem rumo pelas esquinas do mitte. na verdade havia sim uma direção: um carrinho noturno de curry wurst (sim! por que não?), uma ou duas garradas de cerveja, a música perfeita para o momento e um motivo para definitivamente colocar Berlim na eternidade. meio bêbada, meio feliz, meio ansiosa e um tanto cansada ela escolheu pela liberdade – também conhecido como yaam. naquele dia ela sorriu e, curiosamente, a vida sorriu de volta. havia encontrado tudo o que saiu para procurar e voltou no começo da manhã com a tranquilidade sem fim. ela estava ali para fazer o que deveria ser feito e não haveria sentimento – por mais sincero, real e bonito – no mundo que a tiraria do foco. 8:30. quando se lembrou que havia greve de transporte hoje e o metrô só iria funcionar até as 8:45. era hora de parar de pensar e correr para conseguir chegar no trabalho. é, o jeito foi catar a camiseta mais confortável com aquele jeans surrado, engolir a tpm e encarar a sexta-feira, dessa vez tentando esquecer a eternidade dos mil pensamentos por segundo. deixar pra manhã de sábado a decisão mais importante dos últimos minutos. ou vai ver era melhor só deixar para lá.

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tranquilidade de agora;

a consciência do seu lugar no mundo e o caminho sem volta. perder a ingênuidade e receber em troca a experiência. se decepcionar com uma pessoa e encontrar outras tantas cheias de amor. desistir do desânimo para uma longa caminhada no parque. trocar de música no shuffle esperando ser supreendido pela próxima. abrir os olhos pela manhã e esperar encostar os meus olhos nos teus. sentir o seu pé quente no meu pé frio; a sua mão fria nas minhas costas quentes. jogar uma data no drungli esperando uma super promoção de passagens para aquela cidade que você deseja conhecer. ver o celular vibrando e ler o seu nome. receber foto de pessoas amadas do outro lado do mundo exibindo sorrisos largos e sinceros. o orgulho de ver o sucesso dos amigos. ouvir aquela música naquele momento; ouvir exatamente o que gostaria, na hora certa. um jantar japonês em um domingo a noite. abrir a janela e encarar a lua, te observando logo ali. se surpreender com o lançamento do seu cantor querido com um cd maisquelindo. uma música que encaixa exatamente nos seus sentimentos – ou seria o contrário. as lembranças de viagem jamais esquecidas. perceber que você já não é a mais a mesma de quando você chegou e saber que você gosta mais de si hoje do que há um ano atrás. decidir ir atrás da despedida, mesmo sabendo que pode não ser o melhor, mas terá sido o seu melhor. corresponder a confiança dos outros depositada em você. receber amigos com uma varanda cheia de amor. a cosquinha que a caneta faz na pele. o sorriso cheio de dentes de alguém só para você. o olho no olho e a certeza de que não é ilusão. a tranquilidade do fim e dos resultados. o salário no fim do mês. uma noite que dure para sempre. um fim de semana perfeito. o ponto final após dizer tudo que para você faz todo sentido aqui agora.

 

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pretend you don’t care.

aparece como uma fumaça que  sai do teu cigarro e me confunde a visão. tira meus pés do chão, minha cabeça do travesseiro, o ritmo da minha respiração. mexe no meu cabelo como quem bagunça a minha mente. enlaça-me as pernas até não saber mais qual é  tua e qual é minha. confunde-me entre uma música e outra; diz exatamente aquilo que mudaria tudo com o tom de voz de como se não fosse nada demais. me deixa pensando besteira, sentindo seu cheiro, lembrando do sorriso, enxergando seus olhos.

mas lá dentro (bem lá dentro) eu já conheço o fim dessa história. aí então é que eu topo uma cerveja ou duas, como quem não quer nada e sento na sombra, despreocupada. se é para ser assim, então nem ligo mais. prefiro é sorrir para a realidade, achar graça de pouca bobagem e aproveitar até aonde dá. sem tempo ruim.

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pra sonhar;

abraço apertado de meia hora. algumas músicas que faziam trilha sonora significavam mais do que as palavras que havíamos para dizer. a sinceridade estava em nossos olhos e bocas. éramos cúmplices de um crime que não haviam vítimas a não ser nós mesmos: era a vida fazendo acontecer, o mundo girando, o carrossel indo e vindo e o barulho incessante do trânsito. de tanto não parar a gente chegaria lá. o sonho existe para confortar a dor que é ainda constante. a minha vontade era que aquele instante durasse mais do que algumas horas. durassem séculos. hei de dizer que nunca, em toda minha vida, vi sinceros sentimentos tão claramente expostos, abraçados e tão cuidadosamente guardados e trancados no fundo de um baú de tesouros. era um momento raro, desses de se lembrar para todo o sempre, e sorrir. o que se segue ainda não pode ser previsto: é segredo e surpresa do destino. só cabe a mim dizer que lhe quero bem e que foi tudo tão bonito que podia virar melodia se eu soubesse tocar algum instrumento. ou filme de se sonhar.

 

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i might;


a cada seis palavras que escrevo, apago quatro ou cinco. depois de horas nesse ritmo, só resta o artigo e o numeral que precedem todo o monte infinito de coisas que deveria dizer para descrever o que há de sentimento guardado em mim. me sento no meio-fio e aguardo por uma resposta: uma solução para os problemas. em dois dias – para não dizer anos – aprendi que não se deve esperar tanto das pessoas pois, caso o contrário, a decepção é certa. aprendi também a lição básica de não exigir dos outros o que achamos ser o mais correto: nem sempre o que é certo para mim é certo para você. além disso, confirmei mais uma vez que temos guardados em nós mesmos um alguém nem tão bom e um outro alguém nem tão ruim e que devemos saber lidar com isso. um pouco de maldade é necessária; um pouco menos de ingenuidade também. nada mesmo é oito ou oitenta e as pessoas tomam as suas decisões e precisam saber lidar com as consequências delas. não cabe a você corrigir o mundo, dizer o que é certo e errado. o peso dessa responsabilidade só pesa a sua própria vida. você pode acabar colocando padrões tão altos, que fica muito difícil atingi-los – foi o que ouvi de uma amiga bonita, que tem um nome que rima e que de tanto nos parecermos, ás vezes tenho a sensação de estar conversando comigo mesma. tenho mania de querer corrigir o mundo, de definir o certo, de me responsabilizar pelo errado e de colocar padrões altos. pois bem: decidi diminuir o nível e me propus a me surpreender com o lado positivo das pessoas. além do mais, também estou de partida: não vale gastar o meu tempo aqui querendo salvar relações desgastadas. é melhor deixar que o tempo e a distância façam isso por si só. por outro lado, quero mais é passar o máximo de tempo com quem faz questão dos meus abraços.

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eu vi o meu passado passar por mim;

Música boa em volume bem alto. Livros em ordem de tamanho formando um U. Posição nada ergonômica, porém confortável. Cadernos de processos empilhados. O melhor lugar para uma lomo.  Pilhas de papéis do mês, do semestre, do ano, do século passado. O lixo dividido por materiais. Roupas para dar/doar/presentear/vender. Fotografias para lembrar. Uma caixa cheia de entradas de cinema, comprovantes de pagamento e entradas para shows, todos descoloridos com o tempo. Flyers de festas passadas, uns mais engraçados que outros, e a antiga coleção de “pop-card”: agora selecionados. Só permanece aquilo que pode ser útil, mesmo que esteticamente. Pequenos presentes do dia-a-dia reunidos em uma caixa para a posteridade.

Hoje joguei tanta coisa fora e, o que não foi, simplesmente ficou no seu devido lugar. Uns visíveis, para me fazer lembrar diariamente, outros nem tanto. O meu espaço está em constante processo de organização e o meu maior problema é o apego. Costumo atribuir sentimentos á pequenos presentes, fotografias em jornal, embalagens bonitinhas ou simples pedaços de papéis.

Apego. Apego. Desapego. É. Desapego! É… preciso levar mais em conta o significado dessa palavra nesse ano. Me apegar a qualquer coisa só bagunçaria ainda mais o meu quarto já que, aqui, não cabe mais nada além de mim, e das minhas lembranças.

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Nunca é tarde!

Atrasada, mas…nunca é tarde. Um blog com os curtas animados que concorreram ao Oscar 2010. Ah! O vencedor foi Logorama. Mas eu amei o Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty. Então, divirtam-se. LINK

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