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“e eu nem te contei…”

não parei de escrever por falta de assunto, entusiasmo ou vontade. não parei de escrever por falta de desencanto, inquietude ou calor. parei de escrever pelo simples motivo do caos que se instalou em meu tempo em que não me resta segundo sequer para me dedicar ao prazer de tranquilizar o espírito. em por outro lado, cá estou andando na contra-mão, esperando um carro me atropelar – se não o carro, os prazos. falta tempo para respirar, para dormir, para descansar, para me esticar na rede, para fazer trabalhos que me dão prazer (…). me falta tempo para vê-lo passar pelos meus olhos sem me preocupar. mas assumo a culpa: tenho a mania – idiota, diga-se por acaso – de querer agarrar o mundo com as mãos, de fazer tudo junto, de colocar todos os papéis na mesa e não me organizar (é flyer de festa com multa com prova com Shakespeare com conta de cartão de crédito com exercício de italiano com recorte de jornal (…). é coisa demais para apenas 24 horas e é mais ainda para quem está cansada, com dores eternas e com uma preguiça interminável de levantar do sofá para ir para a cama.

mas prometo voltar em breve – mais logo do que se pode imaginar – e com novidades quentes. aguenta?

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Plano B;

É acordar um dia com a sensação de que o melhor plano é ficar na cama. Ou sair de casa, ouvindo música bem alta e deixar o tempo agir. Aceitar o plano B como o único. Nessa noite, não choveu. Foi o vento quem passou e fez o favor de carregar para longe as folhas que caíam sobre nossas cabeças e, entre os galhos das árvores e os topos dos prédios, pude enxergar de longe uma lua cheia. Com uma imagem dessas, como negar o convite?

Aceitei a proposta, o cosmopolitan, o som diferente e a companhia. Mais que isso, aceitei a possibilidade. É aquele “se…” que ecoa dentro da cabeça quando o corpo já não tem mais forças para carregar o mundo. Houve uma agitação, um batuque diferente e cores até então desconhecidas. Mais que isso, houve o silêncio: a tranquilidade e a certeza de que talvez seja a oportunidade de não ter certeza nenhuma, de nada.

E então notei que aquilo tudo não se parecia mais com o fim de temporada, e sim com começo de filme. Daqueles que começamos a ver sem ter ouvido falar e nem ter visto o trailler nem a crítica. Daqueles que deixam uma certa expectativa pela bonita fotografia dos títulos iniciais em que a tipografia se mistura com as formas e cores. É a hora de entender os limites das pessoas, tirar a poeira dos sapatos e reaprender a dançar conforme a banda toca, até o chão.

E se o plano B não der certo, a gente ainda tem o resto do alfabeto inteiro. E os números também. Sem falar que já não tenho mais tanta pressa.

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“desescrevo(-me)”

Queria ter o poder do desapego. Largar de lado sentimentos, fotografias, lembranças, roupas e, até mesmo, pessoas. Aquela sensação de deixar ir tudo aquilo que já foi e não é mais. Se tem uma coisa que eu aprendi uma vez, é que as coisas só fazem sentido quando há uma junção de uma lista de fatores únicos como lugar, hora, mês, clima, olhar, espaço (…). É como aquele momento único de encontro dos astros que acontece uma vez a cada século. É que nem o big bang em que o acaso se torna o caso para se contar nos livros de história. Posso acreditar, inclusive, que a música influencia praticamente em quase todos os nossos momentos de vida, até mesmo quando ela não está presente. Sabe aquele momento no cinema em que sorrimos em silêncio por termos conseguido entender toda a trama de um filme e olhamos para o lado para ver se mais alguém pescou a história pelas minuciosas dicas (intencionalmente) deixadas pelo diretor? É mais ou menos isso.

Mas como eu estava dizendo, queria ter o controle para me desapegar de tudo que a junção de vários elementos ocasionais fez o favor de colocar no meu caminho. Aquele urso velho sem um olho que meu avô me deu e que só junta poeira e ácaros, uma fotografia guardada em baixo da pilha de revistas, um número de telefone que apagamos da agenda mas não conseguimos esquecer, uma promessa desfeita, uma pisada no calo na hora errada e, até mesmo, aquele gosto de feijoada de quem se foi e não volta mais.

Por outro lado, acho que o karma que recebi foi o de me apegar a tudo que passasse pela minha frente e flertasse com o meu desejo. Eis que me perco no medo de, simplesmente, perder. E o meu rumo, aonde é que fica? Perde o ritmo e o sentido. Para quê escrever se, minutos depois, vou preferir nunca tê-lo pensando? Desescrevo-me.

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tempo confuso;

Ainda no processo de recaptular o que já foi dito, volto e lembro do que “outrora” escrevi. Os tempos eram outros, as circunstâncias também e os motivos então, nem se fala. Mas um bom texto deve ser atemporal e, sendo assim, sou a mesma sentindo aquilo tudo outra vez, como se fosse novela de Manoel Carlos. Então, vejamos como é, seja como for.

numa pressa quase que invisível aos olhos humanos, o tempo passou. tenho a sensação de que esse foi um dos fins de ano mais rápidos pelos quais já passei. talvez pela intensidade. talvez pela felicidade. uma coisa boa atrás da outra e seguida de outras novidades. e mais outras. e outras. logo depois disso, veio janeiro, com sua calmaria característica. interrompendo as chuvas, com todo calor. ferve. não tem como começar tão bem.

pensei que talvez fosse melhor largar tudo de lado e começar outra vez. me abrir ás novas possibilidades. tentei. juro que tentei. mas, quando notei, era – é – tarde. como se quanto mais eu mexo, mais me enrolo. nisso tudo, recolho-me ao silêncio. como se tomasse o jeito de reparar, de longe, tudo o que acontece. não quero me meter. não devo mudar nada.

e, se for o jeito, pego minhas coisa e tomo meu rumo – seja lá qual for.

(post de 13 de janeiro de 2009 do justmedotcom. ainda “cabível”)

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Live to tell the tale.

chega em um ponto em que não dá mais: abaixam-se as armas; abaixa-se a cabeça. sem ressentimento, alcança-se a calma. a certeza de que tentamos de todas as formas possíveis e que todos os momentos juntos foram reais. as lembranças, os acontecimentos, os abraços e nossas intimidades não pertecem a mais ninguém a não ser a nós mesmos e estarão muito bem guardados.

a convivência diária com uma pessoa tão fantástica foi uma bela novidade na minha vida. foi um ano e cinco meses próximos a perfeição. foi um aprendizado, um reconhecimento, um crescimento. e a minha felicidade está em ter vivido isso, intensamente, tanto nos momentos ruins quanto nos maravilhosos. a minha dificuldade é saber respeitar a nossa distância natural. e a minha tranquilidade é saber que, quando a poeira abaixar, vamos desejar a presença do outro em nossas vidas, tranquilos por sabermos que podemos ser grandes amigos, confiando um no outro.

aos que se interessam, apesar da ansiedade e impaciência, estou bem, vivendo um dia de cada vez. aprendendo a encaixar tudo o que restou – carinho, saudade e lembranças – no seu devido lugar. tentando me acostumar com a idéia de que deixo de ser dois e volto a ser uma. me segurando para respeitar o nosso tempo. mas, como todo mundo anda dizendo, o tempo vai passar, as coisas vão se ajeitar e, quando menos notarmos, estaremos cada um no seu caminho, satisfeitos com o que a vida propôs, e felizmente ligados, eternamente, por aquele dia 12 de junho.

ps: agora eu não quero mais falar sobre isso. quero viver um pouco mais, respirar ar puro, dar e receber atenção dos meus queridos amigos e esperar, ansiosamente, que tudo isso passe logo, pois quero um dia poder voltar a fazer o que fazíamos antes, dentro dos limites de uma amizade.

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sempre chega;

Acho que estou ficando velha. Não, não velha de idade, mas velha de espírito. Não velha no lado ruim da palavra, como aquela roupa que descartamos depois de tantos anos, furada e sem cor. Mas velha que nem aquele vinil que guardamos empoeirado e que de vez em quando tiramos da caixa, limpamos, colocamos para tocar e lembramos de tantas coisas boas. enquanto as músicas tocam, acompanhadas daquele ruído da agulha raspando no vinil, deixamos escapulir aquele sorriso silencioso e sincero, de quem não se arrepende de absolutamente nada.

Já tem alguns tempos que venho me sentindo assim e, aparentemente, é uma virose entre as pessoas que estão por perto. Meus joelhos não aguentam mais tanta pressão, as minhas costas passaram a doer mais que o normal e tenho sentido um sono inconveniente em festas e eventos. Não aguento mais tanta bebida alcoólica e nem música muito alta. Passo horas vendo fotos antigas, ouvindo músicas antigas e pensando no passado. Tenho preferido dormir cedo e acordar cedo. E por aí vai um monte desses hábitos os quais sempre critiquei e nunca imaginei que fosse adotá-los.

E, desse jeito vou levando. Tentando me adaptar aos novos hábitos e aos limites do corpo. Alguns dias tento revolucionar e mudar isso, mas, depois da segunda tequila já tenho aquela vontade louca de ir para casa, assistir um bom filme ou jogar video game até o sono bater. É verdade, o tempo chega para todo mundo.

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quero tempo!

Finalmente de férias, porém, não necessáriamente tranquila. Sem tempo livre para me cuidar, passo os dias pensando em fazer mala, gravar cd´s, ir para o estágio e resolver algumas questões – não necessáriamente nessa ordem – me preparo para viajar. Vou passar alguns dias em Curitiba, em um encontro nacional de designers: uma desculpa para descansar, de fato. Festas, eventos, cervejas e amigos, não quero pensar em outra coisa se não aproveitar, de fato, esses dias para me renovar. A rotina de acordar todos os dias ás 7am têm me deixado tão cansada como se estivesse am aulas.

A boa notícia? Aulas agora só semestre que vem e as minhas únicas preocupações têm sido o meu regime – o qual comecei essa semana , próxima surpresa para o meu namorado e o tempo que preciso para postar aqui, com toda calma do mundo, tudo que achei de interessante pelo mundo do design e adjacências.

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