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Para a minha mãe,

Agora o coração dói, falta ar e os olhos se inundem de água. Já são tantos anos de luta incessante, de força incondicional, de fé sem limite e de amor verdadeiro. Lembro de quando tudo começou, de me sentir um peixe fora d’água, perdida nos termos médicos, tentando entender a gravidade da noticia. Fui no Google e descobri que havia sempre uma esperança e foi aí que me apeguei: tento diariamente enxergar uma solução positiva para toda essa realidade que me da um soco no estômago. Sempre há uma forma de melhorar, mesmo quando você percebe que o melhor não é exatamente o que você queria. Aliás… O que se pode querer, frente a vê-la tão diferente do que sempre foi. Vê-la chorando, em momentos de lucidez, faz doer ainda mais. Assim como vê-la sorrindo, em momentos de igual lucidez frente a uma boa posição, uma visita ou um desejo atendido, me acalma a alma, me faz sorrir de volta. Ah, mãe! Quanto você me ensina diariamente, eternamente. Você uniu a nossa família, até nas maiores dificuldades. Você nos ensina a sermos maiores, superiores aos problemas, nos tensina a nunca deixar de lutar e quando as vezes é melhor deixar para la, sem falar que não devemos ter vergonha de sermos nos mesmos, desde que seja de verdade. Ah, mãe! Eu daria tudo para estar no seu lugar, sentir a sua dor e passar por tudo o que você passa, se pudesse te aliviar desse processo. Digo, sem dúvida, que você é a melhor mãe, mulher, esposa e menina do mundo. Você, com esses olhos verdes, esses cabelos lindos e esse jeito de ser fazem o mundo mais especial, diferente, único. Você da brilho, da cor, espalha amor por onde passa e distribui sorrisos. Aliás, mamãe, entendi por que conversar com todo mundo nas filas de banco e falar com desconhecidos nas mais diversas situações: é o seu jeitinho de espalhar encanto para as pessoas, de deixar o mundo melhor, de dar cor a vida. É egoísmo meu não querer te deixar fazer a passagem, seguir seu caminho, parar de sentir dor. É sim! Eu sei. Mas é que não consigo imaginar um dia sequer sem seu beijo, seus abraços, seu carinho, sua atenção, preocupação, conselhos e até do seu mexido, de você cantarolando as músicas fora da hora, de ficar acordada até tarde vendo luta ou filme de terror, do leite quente antes de dormir, do biscoitinho com café, do buraco, das broncas, das viagens, do seu senso de direção, da sua organização… Aí lembro que serão reveillons, almoços em família, natais, dia das mães, 12 de fevereiro, 31 de janeiro, 30 de julho, 13 de setembro, meu casamento, seus netos, minha casa, nossas viagens… Ainda temos tanto a fazer juntas! Aliás, ficamos de ir na zara olhar roupas com o cartão do papai e não conseguimos ir – eu sei, minha culpa. É cravo para espremer, é ouvir “adoro quando você da um jeito na sua vida!” e outros milhões puxões de orelha. Eu sinto que ainda ta só no começo e que, sem você, como é que vai ser possível acordar de manhã? Eu simplesmente não sei se eu consigo. Mas isso tudo, não passa mesmo de egoísmo, pois, ao te ver deitada nessa cama, descendo diariamente um degrau… Eu vejo que você não merece as coisas no ponto em que elas chegaram. Você não merece a dor, a confusão mental, a frauda, o o2, ter que depender tanto dos outros, precisar de ajuda para terminar um pensamento… Você não merece ficar sem comer as comidinhas que ama, nem ficar sem ver sua novela, ficar sem jogar o seu baralho, não merece ficar sem intimidade com seu marido e nem ficar sem conversar direito com suas amigas, muito menos sem saber de tudo o que se passa com as suas filhas. Você, uma mulher tão maravilhosa, não merece passar pelo o que você está passando. Então, te digo como quem te ama sem fim e precisa de você: vai, segue o seu caminho, para de sentir essa dor e de se preocupar. Eu prometo que jamais vou me esquecer de você e de tudo o que você me ensinou. Jamais vou desistir da nossa família unida, e de você entre nós 3. Jamais vou deixar de ficar de olho no papai e na Naty e que vou contar com eles sempre. Jamais vou deixar de ter fé que você estará sempre presente, principalmente quando estivermos nos 4 juntos. Jamais vou deixar de colocar ordem no meu quarto, na minha vida e não deixarei de correr atrás dos meus sonhos, e não deixarei ninguém me fazer de boba. Eu te amo, amo muito, amo demais. Amo sem limite e eu quero saber de você sempre bem, o melhor impossível. O que acalma o coração é saber que dentro de mim, tem você em cada pedacinho – da anisedade e de ser super conversadeira, ao batom vermelho, signo e número de sapato . E é aí, nesse momento que o coração dói, pois já sabemos o final da história.

Escrevi esse texto em uma das noites em que dormia com a minha mãe no hospital e com o coração apertado. Infelizmente, mamãe se foi alguns dias depois por motivos naturais da doença. Deixou amor, carinho, bons ensinamentos, lembrança maravilhosas e muito amor. Ainda dói – é recente, a ferida ainda está aberta. Mas a certeza é que tudo valeu a pena e que ela sempre estará entre nós.

 

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o começo do fim;

tai uma coisa que assusta: o fim. inevitavelmente necessário, aquele mal que vem para o bem. o começo do fim é tipo o medo com antecedência, sentindo toda a dor da despedida aos poucos, em doses mínimas. hoje é o meu primeiro dia de férias e é assim que eu me sinto. não serão férias simples: elas começam aqui, passam por Portugal e terminam no Brasil, na ponte aérea BH-Rio-SP, até achar um canto para descansar os pés. eu vou sentir falta de coisas que aprendi a lidar de forma essencial e que passarão a ser, se quando, ocasionais. vai doer por um tempo, vai dar vontade de ficar só na cama, vai ser estranho ter tudo no lugar, vou questionar o conceito de casa, vou lembrar em cada gelato, pasta, pizza, chá da tarde, chocolate quente e a cada pôr do sol. vou ter saudade do inverno e do verão. vou procurar promoções aéreas incessantemente. vou respirar fundo no fim do dia, desejando, de dentro da alma, voltar ao tempo. no entanto, vou ter a certeza de que fui sinceramente feliz e que tive a melhor experiência que poderia ter. no entanto, o próximo capítulo é tão inevitável e inesperado quanto o fim: tudo pode acontecer e eu não vejo a hora de começar de novo.

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não tem nada no mundo que me anima mais do que o recomeço. somos tão jovens.

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não custa sonhar;

tenho um monte de postagens com começo e sem fim. são como histórias de pessoas que se encontram e, sem tempo para se conhecerem melhor, se separam. é como se houvesse potencial em cada encontro e, mesmo sabendo desse potencial, o post é largado de lado, salvo como draft. “fica para depois“; “fica pra mais tarde, outro dia ou outra hora“. e eis que o tempo passa e quando paramos para analizar os posts –  e as possíveis histórias -, já não fazem mais sentido. parece que o tempo que passou, mesmo sendo curto, foi o suficiente para mudar coisa demais. na verdade essa coisa toda de tempo é meio que sem sentido, sem lógica. é que as vezes um mês e alguns dias parecem uma eternidade, mas dói só de pensar que pode passar rápido demais. o passar rápido significa o fim de tantas coisas; e o recomeço de tantas outras.

eu gosto de recomeçar. já disse uma vez que parece fim e começo de seriados, daqueles viciantes. é que eu sinto tanta falta do que passou: do sonho, do planejamento, da expectativa, dos anseios, da luta, do esforço, das noites sem dormir direito e, por fim, das realizações e superações. olhando assim, de longe, dá para ver que foi melhor do que poderia se sonhar. é, é coisa da vida: temporadas terminam e recomeçam, que nem na tv. mas eu juro que ainda não vou sofrer com isso: um dia pego aqueles posts prometidos e começados, e os termino, um por um, com a visão de hoje. é que vale a pena colocar um fim em tudo, de forma excepcional, para poder dormir tranquilo a noite. para poder dormir sorrindo ao seu lado a noite – quem sabe um dia?

eu já nem sei mais se falo de histórias, de posts ou de vidas mal acabadas. vai ver é para ser assim mesmo: deixamos um tanto de migalhas por onde passamos só para tentar reencontrar o caminho de volta. é, quem sabe um dia. não custa sonhar.

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próximo capítulo.

não saí da cama hoje. acordei com um milhão de planos e adiei todos para amanhã. todo mundo tem seus dias. aparentemente esse blog serve exatamente para dias em que me encontro perdida na ilusão do tempo e no vazio da casa. andar de um lado para o outro, fazer uma comida e deitar de novo. buscar um copo de água e voltar com a garrafa inteira. sentar no canto da mesa e ficar observando cada canto da cozinha. sentar para ver um episódio de seriado e acabar vendo a metade da temporada. passar horas jogando aqueles games bobos de celular jogada de qualquer jeito na cama. achar uma posição perfeita para dormir bem na hora que se decide sair e ali ficar.

há uma semana eu voltava de uma das mais fantásticas jornadas de toda a minha vida. passei por tantos lugares, conheci tantas pessoas e senti tantas sensações diferentes que seria impossível transcrever essa experiência em palavras. vai ver que de tanta informação adquirida o meu HD interno está lotado e lento, difícil de processar qualquer outra informação.

minhas férias estão acabando e essa sensação de não ter mais tempo livre me sufoca  e desespera. por outro lado, a próxima etapa que se segue é cheia de aprendizados, novas experiências e novos sabores. mal posso esperar. estou naquela sensação que dá entre uma temporada e outra de seriados, que fica aquele vazio, com um tanto de expectativa e mais um tanto de nostalgia. pois bem, após 4 dias direto dentro de casa, amanhã me proponho voltar a humanidade. em passos curtos, vou aos lugares que tanto gosto, tomar aquele sorvete que me deixa mais feliz e ouvir uma boa música deitada no parque.

é a hora de começar a nova temporada já. e vou faze-la por mim mesma.

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todos os encantos…

ja faz tanto tempo que não posto. desde que me mudei para ca quase não tenho tido prazo. muito do tempo livre que tinha no brasil foi ocupado aqui por louças sujas na pia, vassoura, pano de chão e produtos de limpeza – que prometem mais do que podem cumprir. aprendo diariamente a cuidar de mim e do meu espaço. passei a dar valor as mordomias que tinha na casa dos meus pais e que hoje fazem parte do dia a dia. mas não reclamo não: a vida aqui ta boa demais e tem sido tudo tão especial!

sinto falta de muita coisa que ficou la em BH: as pessoas maravilhosas, o pote de açaí com banana da lanchonete da mamãe, o pão de queijo quentinho e a praça do papa em dias ensolarados. tento lidar com essa falta da melhor forma, seja vendo fotos, conversando no skype, mandando mensagens, procurando açaí em lojas de produtos brasileiros aqui, tento fazer pão de queijo com a receita que minha mãe me ensinou substituindo o queijo minas por qualquer um desses europeus e na falta da praça do papa, serve o parco sempione.

mas se mudar para um novo lugar, longe de tudo, significa muito mais do que a ilusão de adquirir uma sensação de liberdade quase inexplicável. vai além. é aprender, diariamente, como lidar com essa liberdade e se adaptar ao novo. é se esforçar para, de pouco em pouco, chamar o desconhecido de “casa” – e de fato isso acontece da forma mais delicada e imperceptível que pode se imaginar. é entender que sua cama jamais vai ser arrumar sozinha e que as roupas também não vão aparecer limpas e passadas no seu armario de um dia para o outro. é conhecer em si mesma um lado responsável que nunca havia notado. é saber que, mesmo podendo tomar uma garrafa de vinho todos os dias, isso não é o melhor para voce e que talvez seja melhor ficar no cha. é cumprir horarios, prazos, passar a confiar no despertador, fazer compras no supermercado – e de fato passar horas na sessão de produtos de limpeza. é enfrentar de frente a maquina de lavar roupas e se acostumar em perder uma ou outra peça branca ao, eventualmente, deixa-la com o monte de roupas coloridas. é não ter hora para comer. é comprar flores para dar aquele clima aconchegante. é odiar aquelas visitas que deixam tudo fora de ordem e bagunçam o que voce acabou de limpar. (…). mas isso tudo, é para dizer que depois de um dia longo, nada melhor que sentar no seu quarto, ouvir uma musica alta, tomar um chocolate quente e sorrir de tranquilidade: esta tudo bem.

mesmo com todos os poréns, aqui esta melhor do que havia imaginado. e a cada dia que passa, é um dia a menos. então o jeito é não perder tempo e aproveitar cada segundo para curtir tudo o que ha de vir. ” a gente quer ver horizonte distante…”.

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é preciso desapegar.

é necessário saber a hora certa de deixar de lado o que foi importante e dar espaço ao que há de vir. em tempos de despedida, a palavra de ordem é: desapego. são tantos sentimentos, tantos papéis, tanto amor, tantas paixões, tantas histórias, recorrentes desilusões, alguns medos, tantas músicas e tantos sabores que apegar-se seria não me permitir recolher novos pedaços da vida deixados escondido no caminho. deixo de lado as reticências e imponho o ponto final: já não há mais espaço para tudo que acumula poeira. sentimentos guardados em potes também seguram, aqui, pedaços de mim: dedos, mãos, braços e um coração inteiro. eu estou indo embora e, mesmo que seja por tempo limitado, a saudade será recorrente e não abandonarei lembranças e nem deixarei de dar notícias. eu só quero dar espaço para que o acaso aconteça e coloque emoções, sorrisos e novos olhares na minha vida. quero deixar o som dar o tom do inverno e descobrir novos lugares escondidos entre uma esquina e outra em uma cidade desconhecida. são lugares invisíveis. são paraísos perdidos. são poesias ainda não recitadas. são, sim, o reencontrar pedaços de mim ainda desconhecidos.

é a vida acontecendo e seguindo em frente. o que importou ontem, talvez não importe mais amanhã. é preciso saber o real valor das coisas – e só o tempo pode fazê-lo.

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safe travels;

já dei spoiler de novidade aqui e, enquanto isso, já gritei pra todo mundo o que está por vir. como muita gente sabe, em breve vou me mudar. vou para Itália, viver por um ano e fazer um Master em Brand Design lá. para contar dessa nova experiência que se inicia dia 21 de novembro, criei um novo blog, o La Dolce Milano. isso não quer dizer que eu vá abandonar aqui: é no canto de cá que exponho, aos quatro ventos, os meus sentimentos mais sinceros. lá estarão as dicas, as novidades, algumas fotos, declarações de amor e desabafos de saudade. por aqui, todo o amor do mundo.

é isso, por ora. me tornei um poço de ansiedade, sonhos e saudade – ainda que antecipada. coloquei meu coração na mão de cada pessoa especial e querida e, sempre que encontro um, saio abraçando forte e só resta a sensação de que faltou força para mais um abraço. falta é menos de um mês para mudar a vista da minha janela e só me dei conta o quanto gosto da que eu tenho hoje em dia: são meus pequenos tesouros para eternidade.

mas agora é a minha hora de ir ganhar o mundo. <3

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